terça-feira, 24 de novembro de 2015

Crer é referência em implante auditivo em Goiás

Único hospital de Goiás habilitado para realização do implante coclear com cobertura integral pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Centro de Reabilitação e Readaptação Henrique Santillo (Crer), em Goiânia, oferece desde junho de 2012, o procedimento de alta complexidade aos pacientes com perda auditiva profunda bilateral.

A cirurgia, que na rede particular chega a custar R$ 150 mil por ouvido, é indicada para crianças que nasceram completamente surdas. Nesses casos, os melhores resultados acontecem o quanto mais precocemente for realizado o procedimento. Ele também é indicado para os pacientes que perderam completamente a audição ao longo da vida, por doenças, traumas, acidentes entre outros e que têm a chamada perda auditiva profunda bilateral. Ela também é indicada para paciente que não tiveram benefício significativo com o uso de Aparelhos de Amplificação Sonora Individual (Aasi) também conhecidos como próteses auditivas.


Além da cirurgia o Crer oferece acompanhamento aos pacientes implantados. Foto: Eduardo José de Castro

O que é o implante coclear
“O implante coclear nada mais é que a colocação de um aparelho dentro do ouvido interno, em um lugar chamado cóclea, a partir de então o paciente começa a escutar através de uma estimulação direta por eletricidade, que ocorre diretamente no nervo auditivo que vai para o cérebro”, explica o médico otorrinolaringologista do Crer, Sérgio de Castro.


De acordo com o médico a cirurgia é complexa, o equipamento é caro, e a manutenção do aparelho é também de alto custo. “A cirurgia também requer a atuação de uma equipe multidisciplinar no acompanhamento do paciente”, esclarece.

Após a cirurgia e a ativação do aparelho, os pacientes realizam terapias fonoaudiológicas duas vezes por semana. O trabalho é feito visando o desenvolvimento das habilidades auditivas e a melhora na comunicação do paciente. “É o processo de compreensão e percepção dos sons, para que eles façam sentido ao paciente”, explica Sérgio de Castro. Durante as sessões, a família e a escola também são orientadas a dar continuidade ao tratamento que é realizado no Crer.


Recuperação da audição e desenvolvimento da fala
De acordo com o médico, após a cirurgia e o trabalho com fonoaudiólogos, a recuperação total varia de paciente para paciente. “O que diferencia é o tempo que cada paciente ficou sem escutar nada. Quanto maior o tempo de surdez total do paciente antes da cirurgia, mais demorada vai ser a recuperação completa. Mas geralmente, ao final de aproximadamente seis meses da cirurgia e de reabilitação com os fonoaudiólogos, todos estão escutando de forma muito próxima do que seria a audição normal”, afirma.

No que se refere à capacidade de falar o médico afirma que o tratamento torna-se ainda mais complexo. Segundo ele, nesse caso é importante diferenciar duas situações muito distintas: pacientes que já escutaram algum dia e que aprenderam a falar, ou seja, não nasceram surdos, mas perderam a audição em qualquer fase da vida após já terem aprendido a falar; e os pacientes que nasceram surdos e, por este motivo nunca falaram.


No primeiro caso a recuperação da capacidade de falar é praticamente certa, e acontecerá mais rápido quanto menor for o tempo entre a perda da audição e a realização da cirurgia. Já nos casos em que o paciente nasceu surdo e por isso nunca aprendeu a falar, se a cirurgia de implante coclear for realizada até no máximo os seis anos de idade, as chances de se conseguir ensinar a criança a falar existem e são muito boas. Porém, são ainda melhores quanto mais cedo se realizar a cirurgia, “sendo o ideal que se realize o implante coclear antes da criança completar dois anos de idade”.

Acesso ao tratamento
Os pacientes interessados em agendar uma avaliação com a equipe de implante coclear do Crer devem procurar a Secretaria Municipal de Saúde da cidade onde moram. O serviço de Implante Coclear do Crer é pactuado (conveniado) para o atendimento de todos os 246 municípios goianos.

O primeiro passo é procurar uma unidade básica de saúde. Após triagem, os pacientes terão suas consultas providenciadas junto à Central de Regulação de Vagas da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). É importante que o paciente solicite o encaminhamento para o serviço de implante coclear do Crer.

Sucesso no tratamento

Lucas Abrão tem 25 anos, é costureiro e mora em Goiânia. Ele fez a cirurgia há dois anos e afirma que teve medo de fazer o procedimento. Ele diz que antes ouvia muito pouco e que frequentemente misturava todos os sons que conseguia ouvir apenas de longe. Hoje ele afirma que ouve bem, que adora ouvir barulhos e que gosta de música suave.


A enfermeira Tatiane Oliveira é mãe de Alice Oliveira Braz, de cinco anos. Ela diz que Alice nasceu com perda profunda da audição e atraso no desenvolvimento. “Com seis meses de implante Alice já soltava as primeiras palavrinhas. Hoje o desenvolvimento dela é normal, como o de outras crianças, quem não vê o aparelhinho, não fala que ela já teve algum problema de audição”, afirma Tatiane.

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