Assaltos, roubos, furtos, homicídios e latrocínios viraram rotina na histórica Luziânia. A violência mudou os costumes dos moradores que optam por não saírem de casa

Ninguém duvida mais de que Luziânia está levando um banho da violência. Nossa equipe ficou durante 80 minutos na Rua do Comércio, uma das mais movimentadas da cidade, ouvindo quem passava a pé ou de carro. Conversamos com 54 pessoas, 39 disseram que já foram vítimas de algum tipo de violência. Algumas delas declararam que já foram assaltadas mais de uma vez. 

E é verdade. Falamos também com 25 comerciantes, e 19 deles já foram vítimas de assalto. Para se ter uma ideia do tamanho da violência, somente uma drogaria recebeu a “visita” dos malfeitores 12 vezes em menos de um ano. “O cara chega, aponta a arma para gente e pega o dinheiro. A maioria dos assaltos aconteceram durante o dia”, conta a balconista.

A professora aposentada do Distrito Federal, acreditou ter chegado o dia que não iria mais precisar pegar ônibus superlotado para trabalhar em Brasília. Este dia chegou. Aposentada com um salário acima da média, ela pensou que havia conquistado o sossego. Se enganou. Foi assaltada dois dias seguidos. No primeiro foi abordada por dois menores na saída de um banco. Um dia depois, novamente dois menores levaram seu celular. Eles fugiram de bicicleta. “Me senti humilhada”, resumiu.

EM CASA – A onda de violência que pairou em Luziânia, manda em média, 5 vítimas para o cemitério toda semana. Calcula-se que dez pessoas são vítimas de roubo, furto e assalto todos os dias. O medo está mudando os hábitos do luzianiense. A maioria deles se recolhem em casa cedo e não sai mais. “Quando preciso de um lanche ou de um remédio ligo e eles entregam em minha casa”. A afirmação é da dona de casa Sílvia Dantas, 29 anos. Ela mora no Setor Norte Maravilha. 

O medo espalhou de tal forma, que vários comerciantes aboliram o serviço de entrega. “Hoje nós não entregamos mais em domicílio. Em um mês o nosso entregador foi assaltado três vezes”, contou o dono de uma lanchonete. Em outra caso, após às 20 horas, o comerciante só efetua a entrega se for no centro da cidade.

Fonte: Redação.