Mês chama atenção para medidas de prevenção e cuidados à saúde da população masculina

Por Heloisa Sousa


André Nogueira: "homens fazem menos procedimentos de prevenção"


Não só de novembro azul vive a saúde da população masculina. O agosto, também azul, vai muito além da conscientização e prevenção do câncer de próstata e busca focar na qualidade de vida do homem, alertando para medidas de prevenção, visitas regulares ao médico e a adoção de hábitos saudáveis.

Eles, os homens, se enquadram entre as principais vítimas de doenças cardiovasculares, câncer de pulmão, de estômago, de próstata e de pele não-melanoma, cirrose, tabagismo e obesidade. Segundo o Ministério da Saúde, os homens vivem, em média, 7,3 anos a menos que as mulheres. “Isso ocorre principalmente devido à negligência da própria população masculina quanto a sua saúde”, afirma o urologista, André Luiz Nogueira, especialista em uro-oncologia e cirurgia robótica. 

Segundo o médico, além de se preocupar menos com os cuidados com a saúde, os homens fazem menos procedimentos de prevenção, procurando ajuda médica apenas quando o problema está agravado, o que dificulta ainda mais o tratamento.

Saúde Mental

E a saúde mental não pode ser deixada de lado. Transtornos psiquiátricos, como ansiedade e depressão, podem afetar diretamente a rotina e a saúde física. No entanto, são ainda mais negligenciados pelos homens. “Os estigmas sociais ligados a questões emocionais fazem com que essa população sinta vergonha de demonstrar fragilidade, evitando procurar ajuda especializada e agravando o problema”, adverte o urologista. Com o silêncio e o medo de buscar ajuda, podem aparecer vícios como o tabagismo, abusos de bebidas alcoólicas e substâncias químicas.

Atenção para o câncer

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, ficando atrás apenas do câncer de pele não-melanoma, conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). A estimativa para novos casos é de 65.840 (2020-2022), ou seja, risco de 65,84 casos novos a cada 100 mil homens. Em 2019 foram 15.983, conforme o Atlas de Mortalidade por Câncer. 

O diagnóstico do câncer de próstata é simples, realizado por meio de dois exames preventivos: o toque retal e o PSA (antígeno prostático específico). No entanto, um dos reflexos apresentados pela crise sanitária e o medo da contaminação do coronavírus é a queda acentuada de procura por consultas e realização de exames preventivos para câncer de próstata. O Radar do Câncer mostra que, em 2019, cerca de 6 milhões de exames PSA foram realizados. Em 2020, houve uma redução de quase 30%, sendo 4,4 milhões de exames realizados.

O fato é tão preocupante que André Nogueira relata o caso de um paciente que, devido a pandemia, esperou um ano para se consultar e fazer a avaliação da próstata. “Quando recebemos o resultado do exame, o paciente apresentou suspeita de câncer em estágio avançado”, conta. 

A pandemia tem sido um problema para a sociedade, não há dúvidas. Mas o câncer não espera a pandemia passar. “É importante fazer uma avaliação da saúde, mesmo neste momento, principalmente, no rastreio do câncer ou qualquer outra doença”, explica.

Hábitos saudáveis

“Avaliações preventivas regulares são fundamentais quando falamos de saúde masculina”, alerta o médico. O atendimento médico regular é umas das principais recomendações como medida de cuidado. Mas a mudança de hábitos também é necessária. “Por isso, manter uma dieta balanceada com menos sal e produtos industrializados, praticar atividades físicas por pelo menos 30 minutos ao dia, ficar de olho no peso e na pressão arterial, beber pelo menos dois litros de água diariamente e dar atenção à saúde mental são fundamentais para garantir qualidade de vida”, aconselha André Nogueira.