Brasil: o paraíso do mundo

 


                                                                          J.A.Puppio*


O Brasil tem a maior área agriculturável do planeta. O Brasil tem a maior reserva de água potável do mundo. Seus recursos naturais são únicos e nos tornam privilegiados. o Brasil possui, junto com Argentina, Paraguai e Uruguai, o Aquífero Guarani – o maior do mundo. Um aquífero é uma formação geológica que permite que a água se acumule em estruturas naturais subterrâneas. O nosso possui uma reserva de um milhão de km² e um volume superior a 37 mil km³, e, dentro do nosso território, atravessa os estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.

 

As cidades do interior paulista como Bauru, Araraquara e São Carlos são abastecidas pelas águas do Guarani, sendo o município de Ribeirão Preto contemplado 100% por essa fonte. De acordo com dados da Agência Nacional de Águas (ANA), as águas do aquífero respondem por 17% da demanda de água dos paulistas.

 

Mas precisamos participar da discussão de como a humanidade vai sobreviver. Depois da pandemia do novo coronavírus, as pontas sócio-econômicas do mundo ficaram mais acentuadas – os ricos mais ricos, os pobres mais pobres. E a ponta que pode fazer alguma coisa pelo planeta precisa enxergar que todo o dinheiro do mundo não salvará a humanidade, caso não se invista em ciência e tecnologia. A geração de riqueza do futuro se dá na sobrevivência da nossa espécie, com a produção de alimentos, garantia de água potável e energia.

 

As principais potências mundiais já investem pesado em alternativas que visam a produção de energia elétrica através do sol, nosso recurso natural. China, Índia, Estados Unidos e o  Brasil lideram um ranking dos maiores produtores de energia solar do planeta, com mega construções de parques solares. Esse tipo de fonte, 100% renovável e sustentável, é ainda extremamente mais econômica para o bolso do consumidor. Cada dia mais se investe nesse tipo de empreendimento.

 

Mas ainda temos que pensar que com toda nossa riqueza natural temos uma fila quilométrica de pessoas sem trabalho. São 15 milhões de desempregados no país, e o que se demonstra  é que não há um plano assertivo para correção desse problema, apesar da nossa  vice-líderança na produção de carne bovina em todo o mundo, com a  tendência de  nos tornarmos líderes num futuro muito próximo.

 

Não é passível de compreensão que sejamos essa vitrine mundial, recordista em várias áreas e a arrecadação brasileira não seja destinada ao progresso brasileiro. Temos água, temos terra, temos tecnologia, mas não temos um representante preocupado com os destinos da população menos favorecida. Mesmo com toda a abundância de recursos, sem gerenciamento, sem liderança e, sobretudo, sem vontade, é impossível avançar. É como se pudéssemos tocar nas mais belas flores do maior jardim do mundo, mas não conseguimos sentir o perfume delas.

 

Um país governado com seriedade devolve os impostos cobrados dos cidadãos em serviços que o atendam. Não é interessante para nenhum lado político que o povo brasileiro seja intelectual, pois a educação gera questionamento. A educação te ensina a pescar, não te dá um peixe pedindo seu voto.

 

Mas seguimos acreditando, pois há um lado do Brasil que trabalha sério. Ainda que seja invisível aos olhos e aos armários vazios e às torneiras secas, ainda há esperança de uma reconstrução a partir de uma redemocratização social e econômica, onde se distribua melhor a renda. Quando isso acontecer, vamos reafirmar  que o Brasil é o paraíso do mundo.

 

 

*J.A.Puppio é empresário e autor do livro “Impossível é o que não se tentou”.

  


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