Empresa de médicos entra na campanha contra feminicídio

Medplus apoia campanha em favor das mulheres enviando guia “Boas práticas no atendimento médico às mulheres vítimas de violência” a todos os associados 


Apresentação do Ministério da Saúde no lançamento do Pacto Nacional contra o feminicídio.  



Segundo dados do Ministério da Saúde, de 2011 a 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) contabilizou 2,1 milhões de notificações de violência contra mulheres. Em 2025, 12 mulheres foram vítimas de violência a cada 24 horas, segundo boletim da Rede de Observatórios da Segurança. 8 a cada 10 ginecologistas dizem ser os primeiros a atender vítimas de violência, aponta pesquisa da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). As informações fizeram a sociedade se mobilizar. E entre palestras, passeatas e discursos um guia para médicos está ganhando espaço com a ajuda de empresas como a Medplus, que faz a gestão dos profissionais em hospitais públicos em todo o país.  


Apresentação do Pacto Nacional contra o feminicídio pelo Ministério da Saúde, destacando a importância do atendimento a mulheres vítimas de violência.
Tiago Simões Leite. Pediatra e gestor da Medplus Serviços Médicos


“Os números são chocantes. Tanto quanto a realidade dos casos que foram noticiados recentemente”, analisa Tiago Simões Leite. Pediatra e gestor da Medplus Serviços Médicos, foi dele a iniciativa de enviar aos associados a cartilha Boas práticas no atendimento médico às mulheres vítimas de violência, elaborada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). “É importante que nós, como profissionais médicos, estejamos atentos para entender a situação e estarmos preparados para tratar e dar suporte à mulher vítima de violência.” 

 

O amparo que Simões Leite defende está nos detalhes do atendimento que podem salvar a vida da paciente e garantir que ela possa tomar providência futura. “Tratar os machucados, as lesões, é certo, mas médico deve fazer um prontuário bem completo, porque ele pode ser usado como prova em investigações ou processos judiciais”, exemplifica. Essa e outras informações para profissionais da saúde estão no guia que é gratuito e orienta a assistência centrada na paciente. 

 

O que não perguntar 

A cartilha explica que é importante o médico usar linguagem acolhedora e respeitar o tempo da paciente para falar sobre o que aconteceu garantindo a ela toda a privacidade.  Também orienta o que não perguntar, como solicitar o relato diversas vezes sem justificativa clínica ou legal e exigir detalhes minuciosos que não interferem na conduta médica assistencial. 

E o trecho que ensina como não culpabilizar a vítima parece servir a todos. Ele está destacado na cartilha e sugere que não se pergunte à mulher vítima de violência: “Por que você não saiu dessa relação antes?”; “O que você fez para provocar isso?”; “Por que voltou para casa depois da agressão?”. 

Tiago Simões Leite lembra que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a violência contra mulheres como um problema de saúde pública, além de uma violação dos direitos humanos, e por isso faz todo o sentido os médicos e profissionais da saúde estarem conscientes do seu papel como parte da solução. Os médicos, nos casos de violência, conectam as pacientes com a rede de proteção social e jurídica”, resume. 


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