Parkinson pode começar com sinais silenciosos e impactar muito além dos movimentos

 

Diagnóstico precoce faz diferença no tratamento (Foto: Freepik)
 

Avanço dos casos reforça a necessidade de atenção a sintomas que nem sempre são evidentes

 

O Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson chama atenção para uma condição ainda cercada por mitos e, muitas vezes, associada apenas ao tremor. No entanto, os primeiros sinais podem ser mais discretos e envolver diferentes funções do organismo.

Para a neurologista do Hospital Anchieta, Ana Cláudia Pires, é importante desmistificar essa percepção. “O tremor chama mais atenção, mas não está presente em todos os casos e nem sempre aparece no início. Muitos pacientes começam com lentidão ou rigidez, e, em alguns casos, o tremor pode ser discreto ou até ausente”, observa.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 8 milhões de pessoas vivem com a condição no mundo, e o número de casos mais que dobrou nas últimas décadas, acompanhando o envelhecimento da população.

A doença é degenerativa e progressiva e ocorre quando células do cérebro responsáveis pela produção de dopamina passam a ser perdidas ao longo do tempo. Essa substância é fundamental para o controle dos movimentos e, quando reduzida, compromete a coordenação motora, levando a sintomas como lentidão, rigidez muscular, tremor e alterações do equilíbrio.

Sintomas que vão além do corpo

Além das alterações motoras, o quadro também pode afetar outras funções e impactar diretamente a qualidade de vida. Alterações no sono, perda do olfato, constipação intestinal, ansiedade, depressão e dificuldades cognitivas estão entre os sintomas que podem surgir ao longo da evolução.

Mais comum após os 60 anos, a condição também pode surgir antes, embora seja menos frequente. O desenvolvimento está relacionado a uma combinação de fatores, como envelhecimento, predisposição genética e exposição ambiental, sem uma causa única definida.

Diagnóstico e acompanhamento fazem diferença

O diagnóstico é clínico, feito pelo neurologista com base na história e no exame físico do paciente. Em alguns casos, exames complementares podem ser utilizados para afastar outras condições.

A identificação precoce permite iniciar o tratamento no momento adequado e preservar a funcionalidade por mais tempo. Embora ainda não tenha cura, o quadro conta com diversas opções terapêuticas capazes de controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

O tratamento envolve o uso de medicamentos, além de abordagens como fisioterapia, fonoaudiologia e acompanhamento psicológico, que contribuem para manter a autonomia e o bem-estar. Em casos específicos, terapias mais avançadas, como a estimulação cerebral profunda, também podem ser indicadas.

Para a neurologista, o acompanhamento contínuo é essencial, já que os sintomas mudam ao longo do tempo e exigem ajustes no tratamento. A atividade física e o cuidado multiprofissional também contribuem para melhorar mobilidade, equilíbrio, humor e cognição.

Para quem recebeu o diagnóstico, a principal orientação é não enfrentar o processo sozinho. “O Parkinson não define a vida da pessoa. Com acompanhamento adequado, atividade física e suporte emocional, é possível viver bem”, conclui Ana Cláudia Pires.

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