Reconhecer sinais e ampliar informação são essenciais para o desenvolvimento de crianças com autismo

 

Cada pessoa é única, e compreender isso faz diferença (Foto: Freepik)

Condição pode se manifestar nos primeiros anos de vida e exige atenção de pais, profissionais e da sociedade

 

O Dia Mundial de Conscientização do Autismo chama atenção para a importância de identificar sinais ainda na infância e garantir acesso ao diagnóstico e ao acompanhamento adequados. No Brasil, mais de 2 milhões de pessoas vivem com o transtorno do espectro autista, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o que reforça a necessidade de ampliar a informação e reduzir preconceitos.

De acordo com o neurologista do Instituto de Neurologia de Goiânia, João Paulo Toiansk, a identificação dos sinais nos primeiros anos de vida pode impactar diretamente o desenvolvimento. “Quanto antes começamos a intervenção, maior é a capacidade do cérebro de responder às terapias e melhor o desenvolvimento da criança”, destaca.

Os primeiros sinais costumam aparecer nos primeiros anos de vida, especialmente até os dois anos. Entre os principais estão dificuldades de comunicação, pouco contato visual, ausência de resposta ao nome, atraso na fala, dificuldade de interação social e comportamentos repetitivos, como balançar o corpo ou alinhar objetos.

Condição varia de pessoa para pessoa

O autismo é considerado um espectro justamente porque se manifesta de formas diferentes em cada indivíduo. Algumas pessoas apresentam maior autonomia, enquanto outras necessitam de suporte mais intenso no dia a dia.

Segundo o especialista, essa variação é classificada em níveis de suporte, que ajudam a orientar o cuidado. O nível 1 envolve pessoas com mais autonomia, mas que ainda apresentam dificuldades sociais; o nível 2 exige mais apoio, especialmente na comunicação e no comportamento; já o nível 3 envolve necessidade de suporte mais intenso no dia a dia, sem que isso defina o potencial da pessoa.

Mais diagnósticos refletem mais informação

O aumento no número de diagnósticos nos últimos anos está ligado a avanços na identificação da condição. Hoje, há critérios mais bem definidos e maior acesso à informação, o que permite reconhecer o quadro com mais precisão. No passado, muitas pessoas viviam com o autismo sem sequer saber.

Com isso, a identificação tem ocorrido mais cedo, ampliando as possibilidades de intervenção. Ainda existem mitos e visões equivocadas que generalizam o quadro, quando, na prática, cada pessoa apresenta características próprias e precisa ser compreendida de forma individual.

Cuidado e inclusão mudam a trajetória

A identificação precoce pode mudar a trajetória de desenvolvimento e impactar diretamente a qualidade de vida, ao favorecer ganhos em linguagem, socialização e autonomia ainda na infância. Também permite que a criança tenha acesso mais cedo ao suporte necessário para se desenvolver de forma mais plena.

Para o neurologista João Paulo Toiansk, avançar nesse cenário passa por ampliar o acesso ao diagnóstico e às terapias, garantir direitos e promover inclusão no dia a dia. “Mais do que adaptar a pessoa ao mundo, é preciso adaptar o mundo às pessoas com autismo, com informação, acesso ao cuidado e acolhimento”, afirma.

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