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| Foto: Magnific |
Avanços da medicina ampliaram as possibilidades de tratamento, mas reconhecer os primeiros sinais continua sendo decisivo
Dificuldade para sustentar a cabeça, pouca movimentação dos braços e das pernas, dificuldade para mamar ou quedas frequentes não devem ser encaradas apenas como parte do desenvolvimento infantil.
Em alguns casos, esses sinais podem indicar Atrofia Muscular Espinhal (AME), uma condição genética rara que compromete os neurônios responsáveis pelos movimentos e provoca fraqueza muscular progressiva.
Celebrado em 8 de agosto, o Dia Nacional voltado à conscientização sobre a condição reforça a importância de reconhecer os primeiros sinais e destaca os avanços que transformaram o tratamento nos últimos anos.
Segundo o Ministério da Saúde, a incidência estimada é de um caso para cada 6 mil a 10 mil nascidos vivos. Nas formas mais graves, ela pode comprometer a respiração e a deglutição, embora a inteligência e a capacidade de aprendizado costumem permanecer preservadas.
Os primeiros sinais merecem atenção
A neurologista do Instituto de Neurologia de Goiânia (ING), Ana Lara Navarrete, explica que o tempo é um dos principais aliados no cuidado. Isso porque parte das células responsáveis pelos movimentos é perdida de forma irreversível ao longo da evolução da doença.
"Há alguns anos, o diagnóstico trazia perspectivas bastante limitadas. Hoje, a realidade é diferente. Quanto mais cedo a criança chega ao atendimento especializado, maiores são as chances de preservar a função muscular e alcançar melhores resultados com o tratamento", destaca.
Os sinais variam de acordo com a idade, mas alguns merecem atenção especial. Nos primeiros meses de vida, dificuldade para sustentar a cabeça, pouca movimentação dos braços e das pernas, dificuldade para mamar, alterações na sucção, dificuldade para engolir e choro fraco devem ser investigados.
Na infância, quedas frequentes, dificuldade para correr, subir escadas ou levantar do chão também podem indicar alterações neuromusculares e justificam avaliação especializada.
O diagnóstico é confirmado por exame genético, realizado a partir de uma amostra de sangue.
Em estados e serviços que oferecem o teste do pezinho ampliado, a condição pode ser identificada antes mesmo do aparecimento dos sintomas. Isso favorece o encaminhamento precoce ao especialista e aumenta as chances de iniciar o tratamento antes da perda de funções importantes.
Avanços mudaram a perspectiva dos pacientes
Até poucos anos atrás, o tratamento era voltado principalmente para controlar complicações. Hoje, terapias específicas conseguem modificar a evolução da doença, sobretudo quando iniciadas precocemente, ampliando as perspectivas de desenvolvimento e qualidade de vida.
Além das terapias disponíveis, o acompanhamento multiprofissional continua sendo indispensável. Neurologista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, nutricionista, pneumologista e ortopedista atuam de forma integrada para preservar funções, prevenir complicações e promover mais autonomia.
"A informação também faz parte do cuidado. Quando pais, familiares e profissionais de saúde reconhecem os sinais de alerta, o encaminhamento acontece mais cedo e a criança ganha mais oportunidades de desenvolvimento e qualidade de vida", observa Ana Lara Navarrete.


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