| Oncologista do Hospital Anchieta, Caio Neves |
Diagnóstico precoce amplia as chances de
cura e melhora os resultados do tratamento
Frequentemente identificado durante exames
de imagem solicitados para investigar outras condições de saúde, o câncer de
rim costuma não apresentar sintomas nas fases iniciais. A característica
reforça a importância do diagnóstico precoce, tema do Dia Mundial de
Conscientização do Câncer de Rim, celebrado em 18 de junho.
“Quando o câncer está restrito ao rim, as
taxas de cura costumam ser muito elevadas e podem superar 90% após o tratamento
adequado. Por isso, valorizar os exames de rotina e buscar avaliação médica
diante de qualquer alteração continua sendo fundamental”, destaca o coordenador
da Oncologia do Hospital Anchieta Taguatinga e médico do Anchieta Unique, Caio
Neves.
Segundo estimativas do Cancer Global
Observatory (Globocan), foram registrados 11.090 novos casos da doença no
Brasil em 2022. Já o Atlas da Mortalidade por Câncer aponta que o câncer de rim
foi responsável por 4.579 óbitos no país em 2024.
O especialista alerta que a ausência de
sintomas é uma das principais características da doença. “Com isso, muitos
tumores acabam sendo identificados de forma incidental durante exames de imagem”,
explica. Segundo Caio Neves, “muitos pacientes descobrem o tumor durante exames
realizados por outros motivos. Isso contribui para que um número maior de casos
seja identificado precocemente, quando as chances de cura são mais elevadas”.
O carcinoma de células renais é o tipo
mais frequente da doença. Embora possa acometer pessoas de diferentes faixas
etárias, o câncer de rim é mais comum após os 50 anos e ocorre com maior
frequência entre os homens.
Fatores de risco podem ser modificados
Tabagismo, obesidade, hipertensão
arterial, doença renal crônica, histórico familiar e algumas síndromes
genéticas hereditárias estão entre os principais fatores associados ao
desenvolvimento do câncer de rim.
De acordo com o médico, parte desses
fatores está relacionada ao estilo de vida e pode ser controlada por meio da
adoção de hábitos saudáveis e do acompanhamento adequado de doenças crônicas.
“A prevenção tem papel importante porque
muitos dos fatores associados à doença podem ser controlados. Adotar hábitos
saudáveis e manter acompanhamento médico regular são medidas que contribuem
para reduzir esse risco”, observa Caio Neves.
Os sintomas costumam surgir apenas em
estágios mais avançados da doença. Entre os principais sinais de alerta estão
sangue na urina, dor persistente na região lombar, perda de peso sem
explicação, fadiga, febre recorrente, anemia e alterações laboratoriais sem
causa aparente.
Avanços aumentam perspectivas de
tratamento
O diagnóstico precoce tem impacto direto
nos resultados do tratamento. Tumores identificados ainda localizados no rim
apresentam melhores perspectivas terapêuticas e maiores chances de controle da
doença.
A cirurgia permanece como o principal
tratamento para tumores localizados. Sempre que possível, a abordagem busca
preservar a maior quantidade de tecido renal saudável, mantendo a função do
órgão.
Nos últimos anos, porém, avanços
importantes também ocorreram no tratamento da doença avançada. A incorporação
da imunoterapia, das terapias-alvo e a evolução das técnicas minimamente
invasivas, como a laparoscopia e a cirurgia robótica, ampliaram as possibilidades
terapêuticas e contribuíram para melhores resultados clínicos.
Apesar desses avanços, a conscientização
da população continua sendo uma das principais ferramentas para ampliar o
diagnóstico precoce e reduzir o impacto da doença.
“Quando identificada precocemente, a
doença apresenta elevadas chances de cura. Por isso, controlar os fatores de
risco e não negligenciar os exames de rotina são atitudes que podem fazer
diferença”, conclui o oncologista.

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