Ex-deputado federal e hoje candidato a deputado distrital pelo partido Democrata 35 defende revisão da lógica de fiscalização, questiona equipamentos de velocidade e afirma que obras e mobilidade precisam estar subordinadas a planejamento e segurança viária.
O trânsito do Distrito Federal voltou ao centro do debate político a partir das críticas apresentadas por Luís Miranda em uma reunião calorosa ocorrida nesta segunda-feira (10) de agosto, onde diferentes segmentos, lideranças, representantes religiosos demonstraram apoio ao seu projeto rumo a Câmara Legislativa.
Miranda pretende transformar a discussão sobre fiscalização, mobilidade e infraestrutura viária em uma das principais pautas de sua atuação política.
Com um discurso voltado à gestão pública e ao uso racional dos recursos, Miranda questiona o modelo de fiscalização atualmente percebido por parte dos motoristas e defende uma discussão mais ampla sobre a finalidade dos equipamentos instalados nas vias.
Um dos pontos levantados é o que Miranda define como uma “cultura da punição no trânsito”. Na avaliação apresentada pelo político, a fiscalização precisa ter como objetivo principal a prevenção de acidentes e a preservação de vidas, e não simplesmente a aplicação de penalidades.
A crítica alcança também a instalação de equipamentos de controle de velocidade. Miranda cita situações em que radares ou equipamentos podem ficar pouco perceptíveis aos motoristas e questiona se determinados pontos de fiscalização estão efetivamente relacionados à segurança viária ou se acabam funcionando predominantemente como instrumentos de arrecadação.
“Pardal escondido atrás de árvore” tornou-se uma das expressões utilizadas por Miranda para sintetizar sua crítica ao modelo de fiscalização.
Fiscalizar ou organizar?
Para Miranda, a discussão não deveria se limitar à existência ou não dos radares. O ponto central, segundo sua argumentação, seria a coordenação de todo o sistema de trânsito.
A proposta defendida é que fiscalização, engenharia de tráfego, sinalização, velocidade regulamentada, educação para o trânsito e infraestrutura funcionem de maneira integrada.
Na visão apresentada pelo político, não basta controlar o motorista depois que a infração acontece. É necessário organizar as vias para reduzir situações de risco e tornar as regras compreensíveis para quem circula diariamente pelo Distrito Federal.
A discussão também envolve a velocidade estabelecida em diferentes trechos. Miranda questiona se os limites praticados nas vias são sempre compatíveis com as características de cada local, defendendo que estudos técnicos e engenharia de tráfego tenham papel central na definição das regras.
Obras viárias entram na pauta
A agenda apresentada por Miranda também relaciona o debate sobre o Detran às obras de infraestrutura.
O argumento é que mobilidade não pode ser tratada exclusivamente como fiscalização. Melhorias viárias, adequações de vias, sinalização, planejamento urbano e segurança precisam caminhar conjuntamente.
Durante sua trajetória parlamentar, Miranda também destacou recursos destinados ao Distrito Federal e iniciativas relacionadas à infraestrutura. Em entrevista publicada em junho, ele voltou a citar entregas e investimentos realizados durante seu mandato anterior.
Recursos precisam chegar a projetos
Outro eixo do discurso é a relação entre recursos públicos e resultados.
Miranda sustenta que a atuação parlamentarelw joje deve ser capaz de transformar recursos em projetos concretos, com planejamento, acompanhamento e prestação de contas.
A lógica defendida é simples: mais do que anunciar recursos, é preciso demonstrar onde eles serão aplicados e qual resultado produzirão para a população.
É nesse ponto que a pauta do trânsito se conecta ao conceito de gestão defendido pelo político: planejamento, controle, fiscalização e execução deveriam funcionar como partes de um mesmo sistema.
Um debate que ultrapassa o radar
A discussão proposta por Luís Miranda, portanto, vai além da existência de radares. O debate envolve uma pergunta maior: qual deve ser a finalidade de um sistema público de fiscalização?
Para o político, a resposta passa pela segurança viária, prevenção de acidentes, organização do trânsito e melhoria da mobilidade e não apenas pela punição.
A pauta coloca o Detran diante de uma discussão que interessa diretamente aos motoristas, pedestres, motociclistas, ciclistas e usuários do transporte público: como construir um sistema de trânsito que fiscalize quando necessário, mas que também seja capaz de prevenir, orientar e melhorar a circulação.
Mais do que uma discussão sobre multas, a proposta apresentada por Miranda é transformar o trânsito em uma pauta de gestão, planejamento e segurança pública.


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