Nova crise em São Paulo intensifica reação contra Enel

Funcionários da prefeitura removem árvore derrubada pelas fortes chuvas que voltaram a atingir a capital, danificando residências, veículos e a rede elétrica da cidade, em 9 de janeiro 2024 (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
Funcionários da prefeitura removem árvore derrubada pelas fortes chuvas que voltaram a atingir a capital, danificando residências, veículos e a rede elétrica da cidade, em 9 de janeiro 2024 (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Ricardo Nunes vira alvo de adversários às vésperas de corrida eleitoral e recrudesce críticas à distribuidora de energia


Por Gabriela Ruddy - EPBR

Novos casos de quedas no fornecimento de energia na área de concessão da Enel em São Paulo intensificaram as críticas do prefeito Ricardo Nunes (MDB) à distribuidora.

Em conversa com jornalistas esta semana, o prefeito afirmou que a companhia teria mentido em relação à quantidade de equipes que disponibiliza para restabelecer a energia. 

"O presidente mundial da Enel me pediu uma reunião, mas estou resistindo a fazer, porque não tem mais o que conversar com essa turma, são irresponsáveis. Minha relação com a Enel é essa: ficar brigando com esses irresponsáveis enquanto defendo os interesses da cidade", disse o prefeito na terça-feira (10/12), depois que a falta de energia prejudicou um evento em que participaria em uma universidade, segundo informações da CNN. 

Procurada, a Enel optou por não se pronunciar. 

A Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-SP) notificou a companhia nesta quinta-feira (11/1) a prestar esclarecimentos sobre as providências tomadas para atender os consumidores que tiveram problemas no fornecimento de luz depois das fortes chuvas esta semana.

O órgão recebeu mais de 500 reclamações contra a companhia nos 11 primeiros dias do ano. Ao longo de todo o ano passado, foram quase 20 mil queixas. 

Com a nova crise, a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) divulgou nota em que afirma que os eventos climáticos extremos se intensificaram no Brasil nos últimos anos e têm exigido das distribuidoras uma "intensa revisão dos planos de contingência". 

"A Abradee reforça a importância do diálogo institucional respeitoso entre os agentes públicos e as concessionárias de energia como iniciativa primordial na construção integrada de soluções de mitigação de impactos imediatos à população e aos desafios futuros", disse a associação em nota.

A entidade também afirma que "as equipes de eletricistas que atuam para o restabelecimento da energia avancem na medida em que as condições de segurança das regiões afetadas sejam liberadas pelas autoridades locais".

Crise às vésperas da corrida eleitoral

A crise na relação entre a Enel e a prefeitura paulistana começou em novembro de 2023, quando tempestades atingiram o estado de São Paulo e levaram 4,2 milhões de residências a ficarem sem luz em sete diferentes áreas de concessão. Parte dos consumidores da capital, atendida pela Enel, chegaram a ficar sem luz por cinco dias. 

Guilherme Boulos ( PSOL) e Ricardo Nunes ( MDB) disputarão ao lado  de outros candidatos a eleição na cidade de São Paulo, cuja população é de 12 milhões de habitantes (Fotos: Felipe Gonçalves/Brasil 247 | Isadora de Leão Moreira/Governo de São Paulo)
Guilherme Boulos ( PSOL) e Ricardo Nunes ( MDB) disputarão ao lado  de outros candidatos a eleição na cidade de São Paulo, cuja população é de 12 milhões de habitantes (Fotos: Felipe Gonçalves/Brasil 247 | Isadora de Leão Moreira/Governo de São Paulo)

À época, Nunes foi criticado por participar de eventos esportivos na cidade, em meio aos blecautes. A crise serviu ao deputado federal Guilherme Boulos (Psol), ambos pré-candidatos à corrida pelo comando da capital.

Mesmo depois do restabelecimento do suprimento, a capital do estado voltou a apresentar quedas de luz ao longo do mês de novembro, quando o país atravessava uma onda de calor que elevou o uso de ar-condicionado e o consumo de energia.

As ocorrências levaram a  Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a reguladora estadual, a Arsesp, a abrir um processo de fiscalização para verificar se o atendimento da companhia foi adequado. Também foi aberta uma CPI na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Naquele mês, a companhia também enfrentou problemas de fornecimento depois de um temporal no estado do Rio que deixou Niterói e outras cidades fluminenses sem energia.

O prefeito de São Paulo afirmou que iria pedir o cancelamento do contrato de concessão da distribuidora à agência reguladora. O pedido de Nunes, no entanto, não teria lastro jurídico, pois as concessões de distribuição de energia são de competência federal.

Nunes é pré-candidato à reeleição no pleito de outubro de 2024. O atual prefeito disputa com o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (PL) o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro na disputa contra Guilherme Boulos (Psol), que vai concorrer com o apoio do presidente Lula.

Essa semana, a ex-prefeita Marta Suplicy deixou o cargo na prefeitura para ingressar na chapa com Boulos. Ela voltará a ser filiada ao PT.

A italiana Enel passou a ser responsável pela distribuição de energia elétrica para a cidade de São Paulo e outros 23 municípios da região metropolitana em 2018, quando comprou 73% da Eletropaulo por R$ 5,5 bilhões.

Além da concessionária de São Paulo, a Enel também atua na distribuição nos estados do Rio de Janeiro e Ceará, assim como na geração e comercialização de energia elétrica.

Em 2022, a companhia optou por vender a concessionária do estado de Goiás para a Equatorial. A desistência da concessão goianiense ocorreu depois de fortes críticas do governador Ronaldo Caiado (UB) à qualidade do serviço prestado.
Emerson Tormann

Técnico Industrial em Elétrica e Eletrônica com especialização em Tecnologia da Informação e Comunicação. Editor chefe na Atualidade Política Comunicação e Marketing Digital Ltda. Jornalista e Diagramador - DRT 10580/DF. Sites: https://etormann.tk e https://atualidadepolitica.com.br

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